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Poesia – O Cantador

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Cantador

Luciano Menezes

Eu sou contra a dor,
contra a vida da morte
e contra a morte do amor.
Eu sou cantador.

Relendo Drummond

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Relendo Drummond

Luciano Menezes

Quando nasci não havia mais anjos
e os gauches já eram raros.

A pedra do caminho se partira
e um dos fragmentos fez a minha mente
manchar o chão de vermelho.

A terra ficou improdutiva,
o suor perdeu o sal.

E a vida seguiu em frente
para sempre.

Relançado o primeiro livro publicado do Drummond

80 anos de Alguma Poesia - foi republicado o primeiro livro publicado por Carlos Drummond de Andrade

80 anos de Alguma Poesia - foi republicado o primeiro livro publicado por Carlos Drummond de Andrade

Poesia 0021 – Quando eu me acabar

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quando eu me acabar

Luciano Menezes

quando eu me acabar
nada vai mudar no mundo
não vou ser nome de rua
não vou nomear a praça
não vou fazer falta em nada

quando eu me acabar
o mundo vai ficar igual
igual o dia em que nasci
nada se modificou
nem mudou pr’eu existir

quando eu me acabar
não precisa me enterrar
nem pagar p’ra se livrar
desse dia em que me fui.

Poesia 0020 – Quando voce passa e não me vê

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Quando voce passa e não me vê

Luciano Menezes

E seu der uma topada na rua e esfacelar meu dedo
talvez nesse momento exato voce esteja passando
e tenha dó de mim e o que será que irá acontecer

e se voce nem perceber que eu perdi meu dedo
porque estava olhando pra voce
como será que seguirei andando lhe olhando
e meu dedo o que acontecerá ou que se irá fazer

talvez resolva colar com esparadrapo
me prender pra ver se ele se regenerará
mas o que irá acontecer se voce nem me notar

pode ser que amanhã lhe veja passar já com o pé curado
o seu sorriso poderá se abrir para mim – amarelado
mas não se preocupe que farei com que ele se transforme
em uma gargalhada ou um sorriso franco
e talve role até um beijo de cumprimento
e assim acabará meu tormento.

Poesia 0017 – Confissão

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Confissão

Luciano Menezes – 2009

Curiosamente eu percebi
que ao olhar uma mulher
eu a vejo sempre nua
despida de pintura,
de tintutura
ou de unha postiça
despida também
de cílios falsos
de perfumes outros
que não exalem só de si

é
aí talvez seja o problema
pois sempre fica um dilema
quando ela se transforma
e não enxergo mais
a sua alma pura
o seu esplendor natural
somente o desejo
me inebria a alma
é tanto desespero
que me retesa a nuca
funde a minha cuca
e aumenta o tesão

O animal me toma
e busco a minha calma
na sua ternura
na sua doçura
no seu carinho intenso
me perco em seu regato
me esqueço do meu lenço
e as lágrimas seguro
pra não ter que entregar
que vida futura
não mais tem razão
se ela não estiver
me levando pela vida
me levando pela mão
e deixo totalmente
me envolver em uma paixão.