Absurdo total: em Fernando de Noronha não pode nascer ser humano

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Fernando de Noronha - o ser humano não pode reproduzir lá

Fernando de Noronha - o ser humano não pode reproduzir lá

Fiquei muito impressionado e falei com algumas pessoas e para minha surpresa as pessoas começaram a aceitar o que é descrito abaixo.

Como argumento – para proteger o meio ambiente.

Argumentei que lá já foi implantado sistema de hotelaria cujo os donos não são nativos, quem para lá viaja não pode ficar lá mais do que uma semana.

Aí surgiram duas sugestões:
a) mudar a legislação e quem lá nascer não terá o direito de viver lá.
b) limitar o número de moradores.

Na minha opinião os nativos tem direito a ter seus filhos no local em que nasceram e a decisão de viver lá ou não é de cada um.

Publicado no O Globo 28/03/2010 página 17
No paraíso, a batalha pelo direito de nascer
Moradoras de Fernando de Noronha são obrigadas a ter bebês fora da ilha

Letícia Lins

Enviada especial

FERNANDO DE NORONHA, PE. Turistas estrangeiros e brasileiros que buscam a paz da natureza no arquipélago de Fernando de Noronha não sabem a onda de inquietação por trás dos cenários de cartão-postal. Quem conta a história são as mulheres da principal de suas ilhas, a única habitada. Nativas ou residentes temporárias, elas estão impedidas de parir na localidade, que fica a 545 quilômetros de Recife. Quem nasce na ilha, mesmo sendo filho de não nativos, tem direito vitalício de permanência em Noronha.

As grávidas são obrigadas a deixar casa e família, aos sete meses de gestação, para esperar a hora do parto no continente.

As que trabalham antecipam a licença-maternidade e reclamam que, no retorno, restam poucos dias para cuidar do bebê.

Queixam-se da falta de assistência em Recife, onde muitas não conhecem ninguém

Cinta para apertar a barriga

Para a administração de Fernando de Noronha, a iniciativa se justifica pela saúde da mãe e do bebê: o hospital São Lucas, único do arquipélago, não teria como garantir atendimento a parturientes e recém-nascidos.

Para o Conselho Distrital do Arquipélago, que representa os moradores, a medida visa a impor limites ao crescimento demográfico da ilha, que tem 3.500 habitantes (2.600 nativos) e 800 turistas, em média, por dia. Pais sem carteira de residência permanente acreditam que o controle é para impedir que as crianças ganhem cidadania noronhense — assim, acabam morando fora da ilha, o que desestimula os pais a ficar também.

As grávidas de Noronha já levaram a questão à seccional pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil. A maioria vai para Recife, reclamando. Outras batem pé e não saem.

Marinalva Fonseca da Silva, 33 anos, chegou pequena em Noronha e nunca teve carteira de moradora permanente. Seus dois primeiros filhos são criados pelos avós, na Paraíba. Aos sete meses de gravidez, foi enviada a Recife, com passagem e despesas hospitalares pagas pelo poder público. Na Casa do Estudante, isolada, decidiu voltar à ilha, apertando a barriga com uma cinta. Tentaram embarcá-la de volta, mas ela resistiu e teve o filho no arquipélago.

Poucas horas depois foi embarcada para Recife com o bebê.

Segundo o hospital de Noronha, estava com restos placentários.

O Salve Aéreo foi mobilizado. Segundo a unidade onde foi internada na capital, a Cisam-UPE, a paciente não tinha restos placentários e recebeu alta. “Pósparto normal, sem internamento”, ratificou o diagnóstico. O caso foi à OAB por Marilda Martins Costa (PCdoB), do Conselho Distrital de Fernando de Noronha.

Marinalva poderá morar na ilha com o bebê; sua filha foi a única registrada este ano como nascida em Noronha, no Cartório Único de Registro Civil e Tabelionato de Notas. Em 2009, foram registradas 29 crianças no cartório, todas nascidas em Recife.

Em 2010, foram sete; só a de Marinalva nasceu em Noronha.

O GLOBO não teve acesso ao total de filhos paridos por moradoras da ilha em Recife.


Mulheres reclamam da falta de assistência

Longe de casa e dos maridos, grávidas dizem que se sentem desamparadas na hora do parto
FERNANDO DE NORONHA. Casada há seis anos com o noronhense Severino Martins da Costa, de 52 anos, Laura Gomes da Silva Costa, de 32, é moradora temporária do arquipélago.

Seu filho, Iuri Cesário, de 2 anos, é morador permanente graças ao pai. Iuri nasceu em Recife. Ela seguiu o roteiro das nativas: fazia o pré-natal no arquipélago, e mensalmente ia a Recife, onde tinha outro pré-natal, particular.

Com melhores condições financeiras, decidiu levar a equipe médica a Noronha.

— No sexto mês, tentaram me pôr para fora. Não tenho parentes na capital nem hotel. A administração da ilha tentou oferecer casa alugada, mas não quis. Pedi para trazer meu médico, o assistente e a anestesista. Comecei a ter contrações; às 6h disseram que o bebê estava sentado e que teria de ser cesariana. O Salve Aéreo veio, e lá em Recife fui para o Hospital das Clínicas — relata.

No HC, porém, os médicos informaram que o parto seria normal. — Disse que só permitiria se fosse cesária, já que me obrigaram a vir de tão longe.

Outra que relata dificuldade é Lidiane Dantas da Silva, 30, auxiliar de cozinha, moradora do bairro popular de Floresta Nova.

Os dois filhos — Miquéias Dantas, de 1 ano, e Nemias, de cinco meses — nasceram em Recife.

Gastou R$ 1.500 com médicos, mais de R$ 100 com táxi e ainda foi parir numa cidade periférica, em Cabo de Santo Agostinho, porque era o local mais barato.

Funcionária pública, Leide Edna Rocha, de 29 anos, está grávida de gêmeas. Mas Maria Rita e Maria Clara não nascerão no arquipélago, onde a mãe reside.

Ela luta para conseguir a guia de transferência, porque terá os bebês em Natal, onde mora sua família. Ter as filhas em Recife, nem pensar. Teme que aconteça o mesmo que houve com a amiga Lidiane: —Quero adiar ao máximo, para que a licença maternidade me permita ficar mais tempo com minhas filhas. Mas já estão me pressionando para partir.

Não quero ficar em Recife. Vou me sentir desamparada e só.


‘Se abrir, aparecem 30 mil’

Como tudo na ilha é difícil — abastecimento, energia, saneamento —, há interesse e obrigação do poder público de evitar a explosão populacional, para preservar o meio ambiente, já que 70% do seu território compõem o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. Para um forasteiro ter visto permanente, tem de morar há uma década lá. Muitos se queixam de que cumpriram o prazo, mas que o pedido de permanência fica parado no controle imigratório da ilha.

Os que estão a trabalho não têm permissão para levar filhos, diz o administrador de Fernando de Noronha, Romeu Batista.

— Quem vem a trabalho fica isento da taxa de preservação ambiental.

Não pode trazer a família.

Se trouxer, cada um paga — diz ele, referindo-se à taxa, por pessoa, de R$ 36,69 por um dia. Ele conta que há cerca de 250 moradores entre cinco e 14 anos de idade; 196 no colégio; e uma creche com 196 vagas. — Se abrir, vão aparecer 30 mil candidatos a morar aqui.

Não há barulho, poluição, violência ou miséria, embora haja pobreza.

12 comentários para “Absurdo total: em Fernando de Noronha não pode nascer ser humano”

  1. André Torres disse:

    Não existe Conselho Tutelar aí não?

  2. antonio quintal disse:

    estive em fernando de noronha em dez 2010.
    lá ocorre uma ironia do destino humano !
    existe projetos muito bem organizados e encaminhados para a preservaçao , proteçao e multiplicaçao para tartarugas, golfinhos, tubaroes e ouytros animais.
    gastam-se milhoes de reais para isso.
    Louvavel !
    ate lagrtixas e mocós (pequeno roedor da ilha) sao protegidos.
    mas a ironia e a maldade estão no tratamento dos ilheus : escola péssima, hospital que so trata de diarreia e pequenos cortes, trabalho só o de turismo onde sao explorados.
    os adolecentes nao tem prespectiva alguma estao usando cada vez mais alcool e drogas, e dizem que moram no “inferno do paraiso”.
    vida carissima .
    Nao pode mais ninguem nascer na ilha . Querem acabar com o ilheu e suas propriedades passam para socios de fora que de alguma maneira estranha , montam pousadas e comercio na ilha.
    Moram em cantinhos escondidos do bairoo em barrracos piores que as favelas de Sao Paulo ou Rio de janeiro.
    o que acontece na Ilha ?

  3. Miriam Gerber disse:

    Pessoal, gostaria de receber o decreto que proibe que as crianças nascam na ilha.
    Também gostaria de saber se têm movimentos para conseguir acabar com esse decreto.
    Trabalho numa TV alemã e gostariamos de pesquisar sobre isso.
    Abraços

  4. ViniZan disse:

    Sinceramente, eu não vejo qual o grande “absurdo” que vc está enxergando nisso. Temos um pais do tamanho de um continente e uma pequena ilha preservada, um paraiso ecológico. Infelizmente homem e natureza não combina, quanto mais homens menos natureza. Se não houverem regras, simplesmente aquele ilha vai deixar de existir, daqui a pouco estão construindo até predios lá. Pare e pense um pouquinho que vc vai entender.

  5. Naian disse:

    Estive em Fernando de Noronha e pude constatar a beleza e a riqueza da natureza. Com o passar dos dias conversando com varios nativos pude ouvir deles o que vc relata em seu artigo (nazismo velado) Os nativos deveriam ter mais conforto e respeito, embora com controle com aqueles que desejam morar as regras e o limite tem a sua importância. O problema é a teoria “faça o que eu mando e não faça o que eu faço” Parte ou a grande parte dos invertimentos são visando o poder e o dinheiro, não existe um equilíbrio as atitudes são muitas vezes veladas, e o foco ecologico preservação só aparece como fachada. Voltei triste e decepcionada com o ser humano.

  6. cris disse:

    ViniZan, concordo em numero genero e grau!!!!!!!!! absurdo eh kerer acabar com um dos poukissimos lugares preservados do brasil! tem mais eh q proibir sim q aumente a população de la!!!! esses q acham um absurdo isso seriam os primeiros a destruirem tudo se fossem morar la!

  7. Flavio disse:

    Acho que deveria ser feito isso mesmo, o que acho injusto é que deveria ter esta regra pra todos da ilha, tanto os nativos quanto os empresários. Conhecemos o homem e sabemos que se não houvesse controle hoje a ilha estaria inviável de tanta gente e destruição que tudo que a natureza fez se perderia…Se fosse o governo ia até ser mais radical, tiraria os nativos e colocaria em Pernambuco, e manteria uma forte rigidez e controle dos empresários da região para evitar abusos…visitei a ilha e o que posso dizer é que é um paraíso ecológico para se VISITAR e retornar, pois tudo lá é caro, desde a água ao papel higiênico. Nem os peixes há a liberdade de pesca, então pra que essa ganância de querer continuar vivendo lá??

  8. Marcia Gomes disse:

    Que coisa absurda !!!
    Esse Brasil tem cada coisa RIDICOLA fora do normal!!! As vezes nao da ara acreditar que nojoooooooo

  9. Luiza Leme disse:

    Várias ilhas do mundo se transformaram em ilhas-favela, acho a iniciativa louvável. Contudo, acho que o governo deveria alocar decentemente (e com indenização) aqueles moradores que desistissem de morar de vez na ilha, já que o governo a quer devidamente protegida.

    Ah e se duvidam de ilhas-favelas olhem no Google as fotos de Ebeye Island, Migingo Island e Santa Cruz del Islote. Vocês vão ficar pasmos. Preservação sim!

  10. Fernando de Recife disse:

    Uns aceitando outros discordando.
    mas o caso é,,,, os moradores nativos de Noronha tem direito a ter seus filhos na ilha,

  11. Zilda Souza disse:

    Parece crueldade, e discordo que o tratamento dos nativos seja esse.
    Mas se abrem para qualquer um, adeus Fernando de Noronha. Se tem uma coisa que sabemos ser é predatórios. Enquanto a última árvore não é derrubada, ninguém sossega.
    Ruim ou não, entendo os motivos.

  12. João disse:

    É impressionante mesmo! Somente neste país é que acontece isso. Eu como nascido no Brasil, e como Fernando de Noronha faz parte do território brasileiro, de acordo com a constituição federal, tenho todo o direito de escolher onde irei morar, e isso também inclui morar lá.

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