
Encerramento do julgamento do chamado caso Nardoni
A grande imprensa brasileira sempre se aproveita de momentos do maior sofrimento e degradação humana para aumentar seu faturamento.
Ano de 2008 (veja a reportagem) teve a morte da sequestrada, uma menina, quando a polícia agiu errado, foi usado pela mídia durante dias, o sequestro aumentou a audiência da tv e rádio e a venda de jornais e revistas.
Ano de 2009 o voo AF 447 permitiu mais uma vez o aumento do lucro das empresas midiáticas e quando possível mostrando corpos sendo transladados dias de sucção da tragédia. E assim vive a mídia nacional preferencialmente ligando os acidentes quando interessa a empresa da mídia ao governo, afinal a campanha eleitoral não deve ser antecipada. Vou ficar nos dois exemplos.
Mas como sempre faço ao terminar a farra grotesca, eu procuro tentar ler opiniões e reportagens mais criteriosa e que muitas vezes mostram como o ser humano é explorado pela mídia.
O caso atual é um assassinato de uma criança, que ocorreu dois anos atrás. O que teve de advogado, promotor, empresas de mídia nem se fala e todos os que puderam se promover com o fato, usufruindo da desgraça alheia, foi uma coisa impressionante. Mas o que mais me chocou foi o efeito de arena romana (quando o lançamento dos galdiadores à luta da sobrevivência e os cristão aos leões levavam o populacho a vibrar nas arquibancadas) ao ver estampada na foto de jornal, alguns pobres coitados pulando, vibrando e nem sei se teve fogos, pois no jornal não deu pra perceber com a solução aparentemente final: condenação dos assassinos.
Imaginei que poderíamos ter um pão e circo de muito mais teor e audiência do que o que ocorreu com Maria Antonieta na França.
Os assassinos poderiam ser amarrados em praça pública e aquele que conseguissem chegar até praça poderim cortar um pedaço do corpo deles e levar pra casa, num programa nacional tipo bigbrother e depois os que conseguissem seriam entrevistados diariamente na televisão e contavam a sensação de ter sido um “vencedor”. Seria um delírio nacional.
O país iría parar até acabar o corpo dos assassinos? Não pararia até a mídia vender todo o espaço de propaganda.
E continuariam a ser notícia enquanto as empresas de pesquisas informassem o que ainda poderia crescer a audiência.
Com certeza antes de extiguir os copos as pesquisas apontariam que o foco da notícia deveria ser direcionado para outra a atividade da programação midiática e o assunto deixaria de ser tratado e nunca mais voltaria a baila.
O que me preocupa é o que levaria dois adultos a matar uma criança ?
O que levaria um pai e uma mãe a ficarem calados e não contarem o ocorrido ?
Como eles conseguem dormir ?
Tenho receio que a mãe da sacrificada se não se cuidar pderá ser procurada para posar em revistas sexy – se não aprecer agora será em breve.
E poderemos ter, muito tempo depois, num artigo acadêmico o estudo da mente e do sentimento dos agora condenados e avaliações do seus pensamentos durante esse tempo. As mentes doentes poderão penar que se repetirem o fato seram famosos. Mas esse assunto não voltará para a mídia, nem a mídia tem interesse e modificar o comportamento humano para melhor. A mídia não tem interesse no comportamento humano. O que lhe interessa é a barbárie, por isso ela é divulgada ao máximo, e com certeza atuará influenciando outros acontecimentos pela forma da divulgação que a mídia promove.
Descanse em paz Isabelle o seu sofrimento não terá sido em vão.